quarta-feira, 28 de setembro de 2011



 Amo liberdade, o não ter que dar satisfação, fazer o que der na telha e comer qualquer coisa sem ter que me culpar depois. Adoro o fato de saber que sou minha, eu sozinha, e ninguém tem que me aceitar por isso. Mas a idéia de ser de alguém por inteiro ainda me é mais tentadora do que a de ser minha somente. O frio na barriga e o arrepio na espinha que isso dá de vez em quando absorve qualquer liberdade, esconde, faz a vontade de se doar ser bem mais forte, e supre com tudo aquilo que a liberdade não dá. Ainda prefiro cuidar, ser cuidada, ser de alguém, ter alguém. Prefiro ser dois do que um, ser um de dois que se completam. Prefiro me confundir com quem sou, me confundir com o outro que mora em mim também. Sabe, acho que amar é isso, amar faz bem, e eu prefiro.

sábado, 24 de setembro de 2011


 Depois que descobri quem eu sou, passei a acreditar que são poucas as pessoas que merecem me ter. Que merecem minha atenção. Passei a perceber que dentre todos, você é uma das únicas pessoas que me merecem. Pra ser sincero de verdade, meu bem, sou eu que não mereço você .  J.B



Somos uma espécie de bomba relógio. Dessas com peças diferentes que se juntas da maneira errada podem causar o maior estrago. Da última vez fui eu quem trabalhei errado, pro lado contrário e acabei não te levando junto. Eu sei muito bem que desculpas não servem e explicações já não cabem mais. Eu também não ia apelar para nenhum dos dois. Eu só quero te lembrar de como a gente trabalhou bem quando trabalhou junto. Na mesma direção. Hoje estamos com pensamentos e rumos diferentes, apesar de um sentimento que ainda existe em você e por mais que você não acredite, ainda teima em ficar aqui comigo. Não que eu queira fugir, nunca achei conveniente, apenas necessário uma vez. Só preciso aprender a lidar com a situação. Eu não entendo você, nunca vou entender e também não quero. Porque se eu te entender, eu me entendo também. E aí a gente se entende. E aí não vai ter pra onde correr.


É idiota e gosta de sofrer mas é tão apaixonante que qualquer um que conhecesse me entenderia. Fala comigo de um jeito que desmonta qualquer coisa que eu tenha armado, qualquer proteção, vai tudo por água abaixo. Fala coisas que não fazem sentido, mas que tem todo o sentido do mundo pra mim. Gosta de coisas esquisitas e não acredita em mim. É, isso mesmo, não acredita em mim. Oh céus, eu poderia muito bem deixar pra lá se não acredita, mas eu não consigo. Eu sempre tento explicar, nem sei porquê. Ou sei. Porque tem um timbre de voz que me deixa mole, é só passar manteiga e fico no ponto. E parece gostar de mim assim, mesmo depois de tantas coisas. De um jeito que eu não entendo. Mesmo depois de tantas coisas é a única pessoa que tem medo que eu vá embora. Ninguém nunca teve medo que eu fosse embora, entende?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011


Na verdade sempre existe uma verdade. E a verdade da vez é que eu não sei ficar sem você. E você também não sabe ficar sem mim. Sabe, mesmo com tantas idas e vindas e desculpas e mágoas a gente ainda inventa desculpa esfarrapada pra ficar junto. Nem que seja amizade. Nem que seja coleguismo, apenas. Um porto seguro só pra quando sentir dor ou quiser sorrir e se sentir melhor. Nem que seja de vez em quando. Nem que seja quase nunca. Mas ir embora de vez não está em questão, nunca esteve. Nem faz parte do nosso vocabulário. Isso de ficar sem notícias não cabe à nós. Nunca coube. Te ter por perto a qualquer custo talvez signifique algo pra você. Me ter por perto pode ser que signifique algo pra mim. É cumplicidade, uma sintonia meio sem compasso e sem marcação mas que dá muito certo. Mais certo do que essas coisas ensaiadas. Sabe quando dizem por aí que duas coisas ou pessoas sempre se completam? Mesmo querendo ir, mesmo não dando muito certo, mesmo.. A gente se completa. Já reparou? Presta atenção, a gente se completa.


Eu que te observo de longe bem sei o que fiz contigo. Eu que daqui tento me esquivar de lembranças, sei muito bem que nada foi suficientemente irreal a ponto de ser esquecido em semanas. Bem sei o quanto dói, o quanto te dói. Dói em mim também, e muito. Eu só me faço de forte, é só uma máscara meu bem. Vivo me apegando em todos os vestígios de novidades que encontro só para ter algo em que pensar, com o que me ocupar. Mente vazia, como dizem por aí, é bem perigosa. A minha então, costuma ficar fazendo trilha por onde não deve, principalmente por lugares que já passou. Deixa assim, melhor assim. Deixa que o tempo trata de arrumar, de acalmar, de melhorar. Me deixa aqui, eu me viro. Mesmo que de um lado para o outro tentando espantar pensamentos, mas eu me viro. Sempre me virei. Uma hora a gente consegue ficar melhor, o tempo não falha, te garanto.


Você sempre vai se decepcionar. Seu amigo, seu namorado, sua amante, sua mãe, sua irmã, seu cachorro. Todos eles alguma vez vão pensar em um outro alguém ou neles mesmos antes de você, pra variar. As palavras, o beijo, o carinho de alguém sempre vão superar os seus alguma vez, e você não tem culpa alguma por isso. Ou tem. Mas a vida é tão montanha russa assim mesmo que a gente acostuma. Um vagão de cada vez, ora lá em cima, ora lá embaixo. Ora cheio, ora vazio. Talvez se preencher com sua própria auto suficiência te entretenha vezenquando, quando não há mais o que fazer. Se sentir sozinho é bom pra reconhecer o quanto ser sozinho pode ser bom. O quanto ainda há para conhecer de você mesmo. Conheci bastante de mim assim, forçado, eu sei, mas conheci. E sabe, me apaixonei pelo que descobri. Hoje não me troco por ninguém.


Mas há ainda certas coisas que o tempo não leva assim tão depressa. Esses tais de ventos fortes que andam aparecendo por aqui não estão dando conta do recado, preciso reclamar. Na verdade na verdade mesmo, a gente anda tendo tanta coisa pra reclamar. Traz a conta que dessa parada eu já quero ir embora, não quero mais. Essa sensação de história inacabada como se ainda fosse necessária a concretização de algumas velhas promessas pra que esse tormento acabe. Essa saudade enorme que mal cabe no peito de uma cumplicidade que hoje não pode ser a mesma. Desculpa, mas você me tenta demais.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

] 

Não quero mais amar. Chega de sentir essa coisa enorme que tira o ar e aperta o peito. Não quero mais essas sensações que perturbam a mente e tiram o chão. Esse troço esquisito que te tira completamente da racionalidade e toma conta como se você não mandasse mais em nada no seu corpo. Cansei de perder o fôlego no antes e depois. Eu não quero, não quero, definitivamente, não. Vou me fechar para qualquer indício ou vestígio de amor que começar a surgir por aí. Chega. Chega de acabar sempre do mesmo jeito, chega de amores que não dão certo, de falsas esperanças e anéis e despedidas. De restos seus pelo quarto e palavras suas em todos os lugares. Vou ficar bem sozinha, preciso, prefiro. Não que amar seja ruim, o ruim é depois, quando não dá certo e você fica lá na sarjeta se sentindo a pior das criaturas. Isso é ruim. As lembranças, as músicas, as cartas, os textos, a voz. Que se dane isso de sentir demais e demonstrar demais, adeus, vou hibernar. 


Então me diz, me explica, por favor. Deixa desse chove e não molha, desse não sabe pra onde vai. Você me olha nos olhos e sorri com um brilho que é lindo de se ver mas não me passa a segurança que eu tanto preciso. Talvez eu esteja comparando, querendo o que eu ando acostumada a ter, talvez não. Eu só quero ter a certeza de que tenho um lugar seguro pra onde correr quando estiver com muito frio, me entende? Me entenda, por favor. Não me entenda mal. Só me explica se esse seu sorriso é tão verdadeiro quanto suas palavras, só me diz. Não tenta começar sem a intenção de terminar, de todas as coisas, só não faça isso.


Vamos, vem. Vamos andar pelos becos e vielas de mãos dadas e sorriso aberto. Não se preocupe com as contas à pagar ou com o que irá comer daqui algumas horas. Talvez seja nossa última volta, nossa última conversa, nosso último escutar do tom de voz, nosso último sorrir. Finja que o mês não passou, que ainda estamos no ontem, que hoje é seu aniversário e te entreguei sua primeira música. Vem, se apresse, tenho muita pressa em te aproveitar uma última vez. Em te olhar uma última vez. Em te amar como se fosse uma última vez, fingindo não saber que essa última se repetirá todos os dias.


Que se dane suas palavras e suas antigas promessas. Que vá para o inferno. Que me esqueça, que crie amnésia em tudo que se relacione a nós. Não me procure, não cite meu nome, me tire da sua memória, de suas palavras, de tudo quanto lembre que um dia eu fui sua. E só mais uma coisa, me ensina a fazer tudo isso também, porque sinceramente, é o que eu mais quero.


Eu nunca vou querer nada nesse mundo quando estiver ao seu lado. Respirando o mesmo ar que você. Inalando o seu cheiro, te tragando, bebendo, injetando você em mim. Sentindo a parte mais macia do seu peito, o calor da sua nuca, o pulsar do seu coração. Deus, o que será que é amor? Se for esse furacão em erupção, eu afirmo: amar é o inferno dentro dos céus. É morrer pecando e pedir por mais, porque no fundo, é perdoável, é aceitável, é inevitável.

— (Larissa Ruza)


sexta-feira, 16 de setembro de 2011


Então, não perca seu tempo comigo. Eu não sou um corpo que você achou na noite. Eu não sou uma boca que precisa ser beijada por outra qualquer. Eu não preciso do seu dinheiro. Muito menos do seu carro. Mas, talvez, eu precise dos seus braços fortes. Das suas mãos quentes. Do seu colo pra eu me deitar. Do seu conselho quando meu lado menina não souber o que fazer do meu futuro. Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas uma coisa, eu exijo. Quando estiver comigo, seja todo você. Corpo e alma. Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. Mas, por favor, não me apareça pela metade. Não me venha com falsas promessas. Eu não me iludo com presentes caros. Não, eu não estou à venda. Eu não quero saber onde você mora. Desde que você saiba o caminho da minha casa. Eu não quero saber quanto você ganha. Quero saber se ganha o dia quando está comigo. Caio Fernando de Abreu


Me desculpe por nem sempre achar as palavras pra dizer.

domingo, 11 de setembro de 2011


 "E o que importa você sabe, menina. É o quão isso te faz sorrir. E só." (Caio Fernando Abreu)